terça-feira, 29 de setembro de 2009

Evolução das Espécies

As mulheres gostam de pensar que o homem está sempre uns passos atrás no processo evolutivo. Concordo. Eu acho que é um macaco que não resultou, um equívoco da evolução. Uma vez perguntaram ao Darwin sobre o homem e ele tossiu, fingindo que procurava uma caneta debaixo da mesa.

Mas o homem esforça-se por não chamar a atenção do erro (“se nos descobrirem, extinguem-nos!”) e lá vai disfarçando as suas limitações.

E talvez por isso, ao contrário das mulheres, ainda sejamos capazes de surpreender. Senão, vejamos o Lopes, que eu julgava não poder ser pasmo maior. Descobri hoje que por trás daquele ar de quem só espera que lhe peçam uma opinião, existem algumas veleidades culturais (“alguns poemas que um dia me mostrará”).

- O último que escrevi chama-se: "O que fazem os pirilampos de dia?"

Perante os factos, acho que só pode ser uma mulher a presidir ao comité de controlo das espécies. Só assim se entende a insistência na experiência.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Hoje em dia...

Um jovem amargurado (a namorada trocou-o por uma relação virtual de nome "Gostosão_22") caminha pela rua murmurando contra a vida e o mundo. Cruza uma esquina e avista uma jovem, calças justas da Salsa, cabelos longos e lábios carnudos. Tal era o seu gingado, que ele teve dificuldade em acreditar que aquilo que ela fazia com as pernas se chamava andar.


(15 minutos depois)


Os dois amam-se loucamente, rolam pelo chão, ele beija o corpo dela, ela pede para ele continuar e ele, motivado, continua. Depois, vestem-se e abrem a porta do apartamento dele. Entram. Lá dentro eles tiram a roupa novamente e voltam a rolar pelo chão, com mais beijos e mais grunhidos.

Depois do suor ele pergunta:

- Um cinema mais logo, talvez?

- Hummm... Como é o teu nome mesmo?

- João.

- Pois é, João. Não penses que eu sou assim fácil, ok? Quem sabe um café e olha lá...


E o João, que queria pegar na mão dela no escuro do cinema, pensou: "Lá se foi o romantismo..."


Recado fictício. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Rascunhos no Mussulo

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Novelas

Tenho para mim que os angolanos são dos povos mais apaixonados por telenovelas. A reportagem que se segue demonstra bem o porquê da minha suspeita:

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Mulheres e Política

A confusão iniciou-se quando alguém comentou que achava a Manuela Ferreira Leite atraente. Ouviram-se ruídos de indignação (eu próprio fiquei chateado), outros abanaram a cabeça negativamente, mas ninguém concordou com aquilo.

Aquela confissão tinha caído mal, correndo até o risco de ser indigesta.

O Lopes chegou mesmo a pegar no prato e a ensaiar uma saída da mesa. Não estava ali para ouvir aquelas coisas. Acabou por ficar, em respeito ao bolo de banana que havia para a sobremesa. Mas ficou perturbado, afinal de contas “um gajo não vem de férias para levar com estas anedotas”. E tomou as rédeas da conversa:


- Sabes lá tu o que é uma mulher atraente. Olha, por exemplo, aquela espanhola que andou com o Cristiano Ronaldo. Isso sim! E tem os seios assim como eu gosto, um de cada lado. – e exemplificou com as mãos, no próprio peito, o formato dos seios que lhe agradavam.

- Ah, isso sim, isso sim! – concordou de imediato o Sr. Jorge, passando a língua pelos lábios, não se sabe se saboreando o almoço ou os seios descritos pelo Lopes, ainda que implícitos no ar.

O Sr. Vitor também concordou que aquilo sim, era mulher, ao que o Lopes concluiu com um “pois”, fazendo em seguida um silêncio cheio de “eu não disse”.

Depois, e já devorando o bolo de banana, fez a sua análise política, onde vaticinou que a “Manuelona, cruz credo” (e benzeu-se) jamais terá hipóteses. Faltava-lhe um “quissá, quissá” (eu também não percebi, mas ele pareceu saber do que falava) muito importante nos políticos. E, em cinco minutos, o Lopes desfiou ali o panorama eleitoral do país. Quando não tinha resposta para alguma questão mais pertinente da plateia, dizia apenas:

- Bem, há por trás disso muito mais do que imaginam… É melhor nem irmos por aí…

Entretanto, a hora do almoço esgotou-se e o primeiro a sair do refeitório foi o causador da polémica. Antes de sair, virou-se para o Lopes e provocou-o:

- A Manuela é bem boa, ó Lopes! – e depois saiu, rindo e fechando a porta atrás de si.

O Lopes não teve tempo de responder, mas fez um gesto expressivo “é boa aqui, ó”.

sábado, 19 de setembro de 2009

Chinês Bailarino

Já aqui disse, anteriormente, que ao ritmo com que se têm desenvolvido, rapidamente os chineses tornarão o resto do mundo obsoleto. E eles são cada vez mais. Reproduzem-se exponencialmente (isto em termos de escala, porque o método continua a ser o mesmo), tanto que quando acabarem de ler este recado já terão nascido mais uns quantos milhares (e ler mais rápido não vai adiantar em nada).

E mais certa é a teoria se observarmos a enorme capacidade de adaptação destes mamíferos a novos meios. Por cá, onde também abundam, eles inserem-se no meio e nos costumes como ninguém. Senão vejam o vídeo abaixo, gravado num musseque de Luanda, onde um Chinês mostra os seus dotes de bailarino. A dança é o milindro, nova moda em Angola.


sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O Panguila

Saía do estaleiro para a obra, quando sou interpelado pelo Sr. Jorge.

- Vai à obra?

- Sim, vou. Precisa de alguma coisa?

- Já agora fazia-me um favor. Estou farto de ligar para o encarregado mas ele não me atende. Deve ser por causa do barulho. É o seguinte, preciso que mandem cá vir um dos trabalhadores para assinar uns papeis do seguro.

- Não há problema, eu trato disso. Como se chama o homem?

- Panguila.

- Hum?

- Pan-gui-la! – repetiu o Sr. Jorge sorridente. E rematou: - Ah, nome do caraças!

Por via das dúvidas ele escreveu-me o nome num papel, e lá fui eu para a obra, à procura do Panguila.

Lá chegando, arrisco e pergunto ao primeiro trabalhador que encontro:

- Você é o Panguila?

Respondeu-me secamente que não e baixou o olhar. Não ser o Panguila parecia ser um facto com o qual já se conformara há muito tempo.

- E sabe quem ele é?

A resposta negativa veio num mero encolher de ombros. Estava calor, e falar, parecendo que não, até cansa. Assim como trabalhar. Talvez por isso eu o tenha encontrado sentado num tijolo. Com os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos dando assento ao queixo, lá estava ele, fitando o horizonte.

Segui na minha tentativa de encontrar o Panguila. Mas encontrei primeiro o encarregado geral, o Sr. Vitor. Dele ainda não vos falei, talvez por ter faltado oportunidade. É um homem metódico e que não gosta de perder o controlo. O único na obra que é adepto do Sporting. Acho-lhe piada, também por isso.

- Ouça, preciso que um tal de Panguila vá lá ao estaleiro falar com o administrativo. Há lá uns papeis quaisquer para ele assinar. Sabe quem é?

- Sei. Ó PANGUILAS! PANGUILAS! ANDA CÁ ACIMA, RÁPIDO! – gritou ele para o meio da obra. É curioso como certas pessoas, sobretudo as de mais idade, têm dificuldade em pronunciar qualquer nome que saia da esfera dos habituais. Tudo que não seja João ou José já dificulta o chamamento e o melhor que conseguem é uma aproximação. No caso, o plural foi o possível. Mas também Panguila era de mais…

Dois minutos bastaram para que o homem, que eu julguei ser o Panguila, aparecesse à nossa frente. Mas logo percebi que aquilo não ia ficar por ali.

- O que foi? Eu chamei o Panguila, que queres tu? – perguntou o Sr. Vitor.

- Ele não pode vir, me mandou só em representação.

- Mas o que é isto afinal? Andamos a brincar às obras? – irritou-se ele.

- Mas…

- Nem mas, nem meio mas. Ele que venha e é já! – deliberou o Sr. Vitor, com cara de assunto encerrado.

Mas o outro não se moveu. Ficou ali, insistindo no seu papel de representante do Panguila, o original.

- Está a ver? É isto que eu aturo. Eu vou lá buscá-lo porque senão nem amanhã.

Eu disse que sim, também achava melhor.

- Não vale a pena irem lá. O Panguila está a dormir!

Ao ouvir tal revelação, o Sr. Vitor, que já se dirigia em busca do outro, deu meia volta e ficou a olhar para o representante. Com as mãos na cintura como se esperasse uma explicação. Como estava a dormir? Assim, sem mais nem menos? No horário de trabalho?

- Porque é a vez dele, Mestre. Nós combinamos fazer turnos. Uma hora eu faço o meu trabalho e o dele, enquanto ele dorme. Depois trocamos.

Eu confesso que já pouco me vai surpreendendo por cá, mas cada novidade é sempre um aprendizado.

O Sr. Vitor, refeito do choque, suspirou tão fundo que os níveis de oxigénio baixaram em todo o quarteirão. No fundo, sabia que hierarquicamente era ele o responsável por todos os Panguilas na obra. E o facto de um estar a dormir requeria uma explicação. Mas disso falavamos depois. O importante agora era ir acordar o Panguila.

Pouco tempo depois, o encarregado lá trouxe pela mão o Panguila original, ainda ensonado. Mandou-o ao estaleiro e ai dele que não chegasse lá em cinco minutos.

Depois virou-se para o outro:

- E não penses que por este estar acordado agora vais tu dormir. Vai mas é buscar o carrinho de mão e enche de areia. E já!

Eu dei a minha volta pela obra, acompanhado pelas lamúrias e explicações do Sr. Vitor. Era um homem rigoroso, eu sabia, mas havia coisas que não conseguia controlar e já andava a ficar cansado daquilo. E que eu não imaginava o que custava pôr aquela gente a trabalhar a sério. Disse-lhe apenas que, “se isto fosse fácil, estavam cá outros, não o Sr. Vitor”. Ele sorriu, vaidoso, e prometeu ter mais paciência e atenção “à rapaziada”.

Quando voltei ao estaleiro lá estava o Panguila, sentado em frente ao Sr. Jorge, tratando dos seus assuntos:

- Pan-guy-la! É com “ipsilone”, senhor.