quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Conto de Natal

O barco seguia no seu ritmo cansado, o único possível para um motor que já teve melhores dias. E não se pode pedir mais, afinal foram inúmeras as viagens, para lá e para cá, sempre carregado de pessoas e/ou mercadorias. Houve quem dissesse que o facto de aquele motor ainda trabalhar já era, por si só, um milagre. Ao que o Lopes respondeu que "não é milagre nenhum, são os Japoneses". Ninguém fazia motores tão "selvagens e robustos" como os Japoneses...

Mas continuando, lá iamos nós: eu, o marinheiro e um colega recém chegado a estas paragens, quando fomos gentilmente convidados a parar pelos fiscais da polícia marítima.

Os pedidos habituais para "facultar" a documentação, do barco e do marinheiro, e tudo legal. Mas caramba, como podia uma embarcação de recreio, "segundo consta no livrete", não ter uma caixa térmica para guardar bebidas? Estava encontrada a infracção.

O meu colega, inexperiente, ainda tentou insurgir-se contra aquele absurdo, mas eu convideio-o, com uma subtil cotovelada, a deixar-me conduzir a negociação.

"Vamos lá conversar bem então..."

Durante o diálogo fui recordado que estávamos em época natalícia. Tempo de "fazer o bem" e "ajudar o irmão". Tanto que uma colaboração naquele momento vinha mesmo a calhar. Ele comprava "o presente do dengue mais novo e eu podia seguir a minha viagem". A velha lei da reciprocidade...

Fui tocado pelo espírito natalício e lá cheguei à outra margem...

Feliz Natal Sr. Agente!

3 comentários:

Anónimo disse...

Ricas, tas a transformar-te no "lombuxo" desses agentes pah eheheh... Paulinho

Ricardo disse...

Paulinho, foi caridade natalícia. Tens que entrar no espírito hehe!

Estes gajos andam malucos em Dezembro. Autênticos predadores, sempre de olho na presa...

Abraço e prepara-te, que ao que sei estás a chegar...

Tania disse...

Este blog está a ficar internacional... boa puto, continua...

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