sexta-feira, 10 de julho de 2009

O Mestre

Não sei se por imposição ou espontaneamente, mas o certo é que agora o nosso Lopes foi promovido a "Mestre" pelos seus subordinados. O que mais se ouve agora pela obra é "mestre Lopes" para cá e para lá.

- Ouça, estes homens chegaram-me às mãos e mal sabiam pregar um prego. Em 3 meses já muito o Lopes fez. - dizia ele sem falsas modéstias. - Mais 2 meses e estão como eu.

- Ou melhores ainda Lopes.

- Nem tanto, nem tanto... - lá estava eu a exagerar.

Sentia-se o orgulho no discurso do Lopes, que continuou a justificar o grau de Mestre que lhe fora atribuído.

- Ainda hoje, veja lá bem, chega-me uma destas almas toda empenada. Coxeava mais que um pato. "Anda cá ao Lopes", disse-lhe eu. Tinha um rasgão no joelho, diz ele que caiu a jogar à bola, ontem à noite. Foi ou não foi Zé?

O Lopes procurava no outro a confirmação da sua história, apontando o próprio joelho para que o Zé percebesse, à distância, do que ele falava. E o polegar do Zé para cima indicava que sim, fora tal e qual como o Lopes contava.

- Peguei na caixa de primeiros socorros, meti-lhe um pouco de "betódine" (assim mesmo) e curei-o. O Lopes não é médico, mas o certo é que tratei o gajo. Aqui temos que ser como Jesus, que teve mil ofícios. (teve?!?)

- Pois é Lopes, estamos em Angola...

- Mas porquê? - gritou ele. E acrescentou em tom de desespero - Homem de Deus?

Virou-me costas e saiu com os braços abertos para o céu, como que esperando uma resposta divina. A pergunta ficou no ar, mas não deixa de ser boa...

1 comentários:

Tânia Borges disse...

Estamos cada vez mais curiosos para conhecer esse Sr. Lopes... essa figura tão mítica!
Bjos
Estás quase a vir... aguenta, já falta pouco!
Tânia

Enviar um comentário